Lá eles!



Eu acho isso uma sacanagem. Falo destes corredores para filas de pequenos volumes dos supermercados, delineados por prateleiras cobertas de bombons, salgadinhos e toda sorte de produtos do mal, feitas de caso pensado para nos ludibriar, arrancar o nosso dinheiro e nos encher de porcarias, quase sempre nocivas a nossa saúde, aproveitando aquele raro momento tão oportuno de espera distraída; nos oferecendo ali, tão comodamente, e pela bagatela de apenas R$ 1,99, pequenas compressas doces para aliviar as tensões, a ansiedade, a pressa, e o mal-humor.

Ontem eu tive que controlar o ímpeto de bater na mão de uma senhora obesa que estava na minha frente em uma dessas filas, quando percebi que ela caiu em tentação. Acompanhei todo o seu movimento: sua vistoria pelas prateleiras, sua hesitação, sua tentativa de desviar a atenção das guloseimas... mas acontece que a fila estava lenta (será também esta lentidão calculada?) e quando eu já acreditava que ela havia se conformado com os biscoitos recheados, pão branco, requeijões cremosos e outras coisas que tais depositadas no seu carrinho, numa virada brusca a nossa heroína catou, não um belo Toblerone, mas um MENTOL! Ai, aquilo me deu uma raiva! Que vontade de dar-lhe um tapa na mão e dizer-lhe: Tá louca? Você não vê que isso é uma armadilha?

Bom, isso para mim é um tipo de extorsão, e das piores, friamente calculada. E extorsão é crime. Penso que tais estatégias hipnóticas e abusivas, utilizadas livremente pela indústria e comércio para vender, vender e vender, custe o que custar, deveriam ser, senão proibidas, rigidamente regulamentadas, a exemplo do que se tem feito para o controle da poluição visual em algumas cidades.

Bom, mas isso depende de nós. Por enquanto, um a zero para eles. Lá eles! *

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* Expressão muito utilizada no interior da Bahia que significa algo tipo Vá de retro!