Too much sugar
(Julie & Julia, mais uma resenha do filme e do livro)



Já eu sou daquelas que quase sempre prefere o livro, e esta não é uma exceção. Se eu não tivesse lido o livro antes de ver o filme, talvez fosse diferente, mas a minha relação com o livro foi tão intensa, que o filme me pareceu uma espécie de clipe (esteticamente muito bem feito) do livro, um resumo bonitinho, com aquelas gracinhas e efeitos que os americanos fazem como ninguém. E a despeito da magistral interpretação da Merryl Streep, o que não é surpresa para ninguém, e da perfeita ambientação da história (tal qual eu mesma a visualizei), o filme aborda a crise feminina que leva a Julie ao seu projeto, de forma superficial, omitindo a parte "suja", como a venda dos seus óvulos para pagar dívidas, sua amiga ninfomaníaca, o estado de sujeira em que se encontrava a sua casa quase sempre - povoada por três e não apenas um gato, sua mãe boca-suja, os porres homéricos, os arrotos do Eric, com quem viveu uma crise muito maior e mais rica em experiências do que mostra o filme, sua apatia sexual (ela parece ter a libido okay no filme, mas na realidade não transava com o Eric há meses) enfim, os detalhes que apresentam a Julie como a mulher normal e cheia de grilos que é, para colocá-la nos moldes de heroína americana. A Nora Ephron, bem a seu modo, coloca muito mais açúcar do que necessário na história, para o meu gosto, transformando quase em mais uma de suas comédias românticas, um conflito que é muito mais do que isso.

Mas que fique claro: foi um prazer assistir ao filme, que é muito bonito e bem feito, mas bom mesmo é ler o livro, principalmente se ele tiver a linda capa original.