Frigideira de Maturi

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De todas as comidas baianas, a Frigideira de Maturi é, sem sombra de dúvida, a minha preferida. Pongando na resenha do livro O Sal é um Dom, e também da tão esperada safra do maturi por mim, comprei os meus ingredientes, todos muito frescos na feira, e chamei amigos bons para degustar desta finíssima iguaria.

O Maturi é a suave e macia polpa da castanha extraída do caju ainda verde, precioso tesouro só encontrado a partir desta época, até antes de findo o verão. Seu preço, por vezes alto (paguei 10 reais pelo litro), explica-se também pela dificuldade em tirar esta polpa de dentro da casca da castanha, uma vez que ela solta um óleo que queima gravemente, e é preciso dominar a técnica.

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O Maturi é vendido em saquinhos, envolvido numa espécie de leite natural, como na foto acima, e pode ser congelado, uma estratégia que lançarei mão garantindo assim, alguns quilos para a entresafra. Na hora de preparar, ele deve ser muito bem lavado, para tirar o ranço, e depois escorrido.

Eu aprendi a fazer Frigideira de Maturi com a comadre Fara Helena, fina cozinheira, e o que faz da nossa versão especial e melhor do que qualquer outra que eu já tenha comido, é o fato de usarmos camarões frescos na receita e não apenas secos como manda a tradição. Me despeço aqui da comadre Fara e parto para a minha versão.

Utilizo a mesma proporção de camarões frescos e maturi (aqui algo em torno de 700g de cada, sendo o camarão já limpo, peso líquido). Dona Canô dá uma dica muito bacana em seu livro sobre utilizar um palito para remover a caca dos camarões (basta rasgar o dorso e puxar o fio, que sai inteiro, ó que massa!). Para o tempero, pilei dois dentes de alho, sal e coentro, e envolvi meus camarões, muito frescos e limpinhos, que reservei enquanto...

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... cortava os temperos e dispunha os demais ingredientes. Depois foi só refogar cebola roxa, dois dentes de alho, tomates cereja cortados em 4, uma pontinha de pimenta sem sementes bem picadinha (opcional), e pimentão verde ídem, em óleo de sua preferência; uma vez refogadinhos os temperos, junte o maturi, depois os camarões, misture bem, agora some um punhado de camarão seco triturado, depois leite de coco natural ou Sococo para ficar com uma boa quantidade de caldo cremoso, 1 colher de sopa de azeite de dendê só para dar uma cor rosada (opcional), e por fim, um ENORME punhado de coentro picado, que é a erva boa para comida do recôncavo. Apague o fogo, reserve e vá bater uns 5 ou 6 ovos em neve (primeiro as claras, depois as gemas e uma colher de sopa de fermento em pó). Agora misture metade dos ovos batidos ao refogado, e reserve o restante. Envolva bem, deite em fôrma untada e enfarinhada, cubra com o resto do ovo batido, coroe com rodelas de cebola, tomates, fios de azeite de oliva (se tiver azeitonas, vá em frente), e leve ao forno pré-aquecido por 10 a 15 minutos, ou até que esteja dourado.

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Enquanto a frigideira assa, forre a mesa com uma toalha de chita e coloque um samba-de-roda. Sirva com arroz branco, e coma apenas com gente querida.

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Será que Nanã curtiu?

Ah! Se tiver cocadas de coco, abacaxi, maracujá e goiaba de sobremesa, tanto melhor!